Durante anos você vestiu máscaras que pareciam elogios: “forte”, “madura”, “equilibrada”.
Foi engolindo mágoas para não perder pessoas, foi rindo de coisas que não tinham graça nenhuma.
Aprendeu a caber em espaços pequenos para não incomodar, a falar baixo para não parecer bruta.
Neste trecho, você encontra o momento exato em que algo dentro de você cansa de atuar.
Não é um surto, é um despertar silencioso: o corpo não aceita mais repetir a mesma versão.
Você começa a estranhar a própria imagem, as respostas automáticas, o “tá tudo bem” que nunca está.
E, pela primeira vez, considera a possibilidade de desapontar as expectativas – para não se desapontar de novo.
É aqui que a alegria estranha aparece: uma liberdade tímida, mas real, de não precisar mais ser quem esperam.
Deixar cair a máscara assusta, mas ficar com ela pesa mais.
Este livro é sobre escolher o susto da verdade em vez do conforto da prisão.