Amar demais não começa com um grande erro — começa com um pequeno exagero.
Aos poucos, você vai se acostumando a ser a que sempre entende, sempre espera,
sempre volta, sempre reorganiza o mundo para encaixar alguém que nunca
reorganiza nada por você.
O coração vai ficando maior por fora e menor por dentro. Você dá, doa, entrega,
se oferece — até que percebe que está sobrando pouco de si para si mesma.
Amar demais é bonito quando o outro cuida também. Mas quando só você sustenta,
deixa de ser amor e vira sobrevivência emocional. Vira o medo de perder alguém
que já não está mais ali há muito tempo.
Este trecho é sobre reconhecer esse padrão, encostar a mão no peito e admitir,
talvez pela primeira vez, que intensidade sem reciprocidade é só solidão disfarçada.
E que a pessoa que você mais precisa aprender a não abandonar — é você.