Escrito a partir da noite em que o autor também quis desistir de si – e foi interrompido por Deus, por gente e por graça.
O teto não era branco. Tinha a cor cansada de hospital esquecido.
O ventilador rangia como se estivesse tão exausto quanto eu.
Na tela do celular, 02:17. Por dentro, parecia bem mais tarde.
Eu não queria morrer. Eu só queria parar de sentir como se estivesse estragando tudo.
“Se eu sumir, talvez ninguém note.” – a frase veio limpa, cruel, sem trilha sonora.
Olhei pro céu e pensei: “Deus, o Senhor ainda lembra que eu existo?”
Não veio raio, não veio voz, não veio fogo. Veio um silêncio grosso que quase me afogou.
Foi aí que o telefone tremeu na mesa – um nome aceso, uma ligação fora de hora.
Eu quase ignorei. Quase deixei tocar até calar.
Não sabia que aquele “alô?” meio rouco seria o começo do fim da minha vontade de desistir.
“Eu li chorando no ônibus, tentando disfarçar. Parecia que alguém tinha colocado em palavras o que eu nunca consegui explicar.”
“Não é um livro bonitinho. É direto, sincero, às vezes desconfortável. Mas foi a primeira vez que eu não me senti um estranho dentro da minha própria fé.”
“Me senti abraçada por alguém que entende a dor sem precisar explicação. Foi como encontrar refúgio em palavras.”
“Mostrei esse livro pro meu pastor e ele chorou comigo. Nunca tinha lido algo tão honesto sobre quase desistir.”
“Era só mais uma madrugada perdida até que comecei a ler. Cada página parecia saber o que eu não conseguia contar pra ninguém.”